Blog “Vende na Farmácia” e produtos cruelty-free

Encontrei um blog sobre cosmeticos e produtos de higiene, e qual foi minha surpresa quando precebi que as autoras estão ligadas na causa animal! O blog se chama “Vende na Farmácia” e a idéia principal é falar de produtos legais que dá pra achar fácil em farmacias ou perfumarias e não pagar o olho da cara. Só isso já seria uma boa idéia, mas aí achei o selinho “Cuelty-free”:

cruelty free

E pesquisando mais descobri que as autoras dão maior apoio, falando das empresas que testam/não testam, e notei que os produtos resenhados são sempre de empresas que não testam 🙂
post produtos cruelty-free

Então ponto pras garotas, não sei se os meninos vão ficar muito interessados no blog mas tae a dica!

www.vendenafarmacia.com/

produtos descartáveis biodegradáveis

Ando procurando para a verdurada pratinhos descartáveis biodegradáveis pra hora do jantar vegano. Como todo mundo sabe, os usados hoje em dia são de isopor ou plastico e usar esses materiais nos dias de hoje onde não se tem mais onde enfiar tanto lixo tá osso. Tive essa idéia porque quando fui pra gringa percebi que lá já tem várias alternativas, com vários tipos de material sustentável como fibra de cana de açucar, derivados do milho e da batata. Aqui no Brasil como sempre estamos atrasados, ainda não vi nenhum lugar usando esse tipo de material, para mim eles nem existiam ainda mas qual foi minha surpresa quando, enquanto estava assistindo aquele programa Globo Ciencia, falaram de uma empresa que fazia esse tipo de coisa. Pesquisei no google e achei, fica em São Carlos, interior de São Paulo, creio que é bem recente e ainda não tem disponível em lojas, apenas comprando em grande quantidade direto deles. Ainda não sei se vai rolar na verdurada, tamos vendo a questão do preço, mas espero que o lance pegue!

site da cbpak:
http://www.cbpak.com.br/

site gringo com várias opções biodegradáveis:

http://www.lowimpactliving.com/products/Housewares/Compostable—Recyclable-Tableware/478

site de empresa gringa que faz esses produtos com fibra de cana:

http://www.stalkmarketproducts.com/

casas sustentáveis

casa ecológica em San Francisco

Alguém aí já ouviu falar de casa sustentável? Esse conceito, assim como green building e bioarquitetura são idéias bem recentes que juntam a questão da sustentabilidade, isto é, tentar fazer alguma coisa sem prejudicar o ecossistema em que se vive, e a construção/reforma de uma casa/prédio. Colocar um sistema de energia solar, usar madeira de reflorestamento, comprar pisos feitos de algum material reciclado, usar material comprado de lojas que vendem material de demolição, reutilizar peças que já existem na casa são algumas das formas de fazer isso acontecer. Na arquitetura isso vem sendo chamado de Bioarquitetura e no Design de Interiores essa prática tbm já vem sendo usada, até por uns caras famosos. Achei a ideia foda e comecei a pesquisar na internet, no Brasil isso tá só começando mas na gringa já da pra achar muito material desse tipo, tem até programa de tv a cabo (desses que reformam a casa) que mostra casas sustentáveis ou como reformar o interior da casa de um jeito sustentável. Tou até pensando em trabalhar com isso agora hehe, vamos ver se eu consigo fazer um curso no ano que vem!

Mais info:
matéria da folha sobre casas sustentáveis
pragrama de tv gringo sobre reformas sustentáveis de casas
programa de tv gringo sobre casas ecológicas

Livro: Vegan with a Vengeance

“Vegan with a vegeance” é um livro de receitas lançado nos EUA, a autora é uma chef vegan do brooklin que fez tbm um site com videos na internet chamado The Post Punk Kitchen, com algumas das receitas publicadas no livro. A mina é da cena punk de NY há uma cara (vide camisa do crass na capa) e foi nessa que aprendeu sobre veganismo e desenvolveu as receitas cozinhando com os amigos. Descolei o livro e apesar de alguns ingredientes não serem achados aqui tão fácil (bem poucos pra dizer a verdade, como maple syrup), a maioria das receitas dá pra fazer facil, eu já testei os cupcakes e o scramble tofu, ficaram brutais!

E já tem pra vender até no submarino

coletivo Ecologia Urbana

Photobucket

Domingo passado aconteceu na Verdurada uma palestra/debate com o coletivo Ecologia Urbana, eu já conhecia eles da lista de emails da Bicicletada, e também o blog deles, que acho bem legal. Acho que os caras tem uma sacada boa que é atribuir o conceito de ecologia pro ambiente urbano, ao falar de ecologia nego já pensa em salvar o mico-leão-dourado, ou algo assim, o que não deixa de ser válido, mas pelo menos acho que é bem recente a idéia que num centro urbano também há um ecossistema, e tentar preservá-lo é o mínimo que podemos fazer pra manter uma vida decente. Quando digo preservar o ecosistema não me refiro apenas a manter as matas e parques que existem na cidade, são vários os fatores que influem no ecossistema, muitas vezes coisas que nós mesmos podemos fazer no nosso dia-a-dia.

Como os caras disseram na palestra, o trânsito é um elemento chave nessa questão, acho que não preciso nem falar que toda a poluição que os carros geram tá zoando geral, quem sabe em São Paulo sabe disso: faixa cinza no horizonte, problemas respiratórios, efeito estufa, mudanças doidas no clima (não choe aqui a mais de um mês), horas perdidas na hora do rush, etc, etc. O uso da bicicleta como meio de transporte foi apenas uma das idéias que eles apresentaram, eu como entusiasta do pedal acho que aí é onde mais se deveria apostas, pois São Paulo tem um incentivo tosco às bikes no uso diário, as grandes metrópoles já perceberam que as bikes podem não solucionar a questão do trânsito obviamente, mas dar uma grande mão nessa questão.

Fora essa parte do trânsito , tem várias outras coisas que a gente pode fazer dentro dessa idéia de ecologia urbana, como não pegar sacolas plásticas no mercado (que levam séculos para se desfazer, apesar de grande parte da população no brasil reutilizar as sacolas como saco de lixo todo mundo tem em casa muito mais dessass sacolas do que precisa), comprar de comerciantes locais (que comprem de produtores locais, não de latifundiários que transportam os produtos em caminhões que tem que atravessar o país para trazer à cidade), comprar alimentos organicos, usar produtos que não agridam o ecossistema, plantar um jardim, ser vegetariano/vegan, etc

Hoje em dia acho que o termo mais usado pra isso é sustentabilidade e do jeito que as coisas tão não dá mais pra se dar ao luxo de achar que isso é frescura e fazer as coisas sem pensar.

blog ecologia urbana: ecourbana.wordpress.com

SLINGSHOT

Toda vez que eu leio um jornal gringo chamado “Slingshot” me bate uma sensação boa. Esse jornal é um periódico gratuito que sai acho que de 3 em 3 meses em Berkeley, California, tratando de temas que vão desde vivissecção até manifestações contra o G8, passando por alguma matéria sobre o Critical Mass ou uso de bikes como meio de transporte. A mídia por aí anda cada vez mais escrota, no Brasil a existência de zines é quase nula, então é bom ter alguma alegria na leitura de vez em quando. Normalmente isso acontece quando eu leio a Maximum Rock n Roll e o Slingshot. Mas como a Maximum é mais musica mesmo, o Slingshot ganha um lugar especial por tratar de questões políticas do jeito que eu acho que devem ser tratadas, com uma grande ênfase na questão ambiental. Claro que essas questões ambientais não são tratadas de um jeito ralo como uns Greenpeaces da vida, na questão dos combustíveis, por exemplo, eles fazem uma crítica dura tanto ao fósseis quanto aos “bio-combustíveis”, que vem sido propostos como a “salvação da terra” mas na verdade só vão acabar criando problemas diferentes (mais sobre isso em http://slingshot.tao.ca/displaybi.php?0096019). Como todo ativista decente o grande incentivo é no uso de bikes, e para complementar isso enfatizam o apoio à comunidade local. Isso é algo que se não me engano tive o primeiro contato no Slingshot e acabou sendo reforçado com a minha visita a San Francisco: as pessoas começam a notar que com o caos das grandes cidades, o único jeito de se ter uma vida digna é aproveitar ao máximo sua vizinhança, como tentar trabalhar o mais perto possível de casa (para não perder horas de sua vida dentro de um ônibus ou carro), fazer compras no mercadinho local (e apoiar uma pessoa que provavelmente mora no seu bairro, e não um “Abílio Diniz” que vai fazer suas mercadorias rodarem milhares de quilômetros [de caminhão à diesel, é claro] em busca do maior lucro), bolar atividades culturais ou qualquer tipo de apoio à comunidade como cursos ou bibliotecas, plantar um jardim ou cuidar da sua área do melhor modo possível, afinal é lá que você vai estar todos os dias. A idéia de revolução sempre me soou boa, mas eu tenho percebido que isso está cada vez mais longe justamente por causa do individualismo que é o grande lema desse nosso tempo: MEU carro (com insufilme para você nem ver minha cara), MINHA casa (com grades e muros gigantes para você nem saber que eu existo), MINHA tv (para eu não ter que conversar nem com as pessoas da minha própria família). Sei lá, posso estar enganada, mas acho difícil alguma coisa mudar enquanto a gente não conhecer nem o próprio vizinho. Não tiro meu corpo fora dessas questões, como todo mundo tenho muito que mudar na minha vida. Mas são coisas que o Slingshot me faz parar para pensar, e por isso eu gosto tanto desse jornal.

Slingshot em: http://slingshot.tao.ca/

Critical Mass em San Francisco

tomando as ruas!

A primeira coisa que fiz naquela sexta feira foi olhar o céu procurando algum sinal de chuva. Apesar de haver algumas nuvens no céu, algo me dizia que dessa vez eu iria ter sorte.

Por incrível que pareça desde que eu estou aqui, dezembro de 2007, toda santa ultima sexta feira do mês choveu. E não é chuva como em São Paulo, de no máximo duas horas, era chuva o dia inteiro, com direito a vento numa temperatura de provavelmente uns dez graus. Juro que por maior que fosse minha vontade de ver o acontecimento, chegava na hora e eu arregava total pra ficar debaixo da coberta em casa! Mas dessa vez o tempo colaborou, lá pelo meio dia o sol deu as caras e eu tive certeza que eu iria a minha primeira Critical Mass em San Francisco!

Cheguei no local de encontro exatamente 6 horas, a hora marcada de inicio. Era uma praça no fim de uma rua, a Market Street, considerada a principal rua do centro financeiro da cidade e onde fica varias atrações turísticas (o bonde, o shopping center, a prefeitura, uma biblioteca, o porto). Assim que cheguei vi vários policiais de moto cercando a praça, lembrei dos stresses que rolam em SP e pedi pra que não acontecesse aqui também. Muita gente já estava na praça, muita gente mesmo, não sei calcular, mas provavelmente mais de 200. Todas batiam papo com os amigos, faziam um lanche e preparavam suas bikes para o momento.

Pude notar que a maior parte era de pessoas que usam a bike diariamente para o trabalho, ou mesmo eram bike messengers. é engraçado, é fácil reconhecer o pessoal que é usuário assíduo de bike, a maioria usa bikes de corrida (como uma caloi 10), muitas dessas bikes tem o freio no pedal (só não me pergunte como conseguem pilotar!), usam uma bolsa que se chama “messenger bag”, é como uma mochila, mas de tira colo em apenas um ombro e feita de materiais resistentes e usam a calca dobrada na perna que fica a correia. Alguns trouxeram “bagels” (pão em forma de rosca) que compraram no mercado e distribuíram pros mais esfomeados, eu fui um deles! Outros levaram uns tambores que ficaram tocando antes da partida, anunciado a massa que iria sair nas ruas.

Se passaram apenas alguns minutos depois que eu tinha chegado quando os primeiros ciclistas saíram às ruas e todos os demais seguiram para assim formar a massa critica. A saída foi silenciosa, o tipo de silencio que precede quando alguma coisa grande vai acontecer. Mas logo em seguida começaram os assovios, buzinas de bike, saudações aos pedestres e todo o tipo de som possível! Tinha ate um cara com uma bike de som, era levada num carrinho atrás da bike. Logo a Market street ficou dominada pelos ciclistas, nessa hora acho que já tinham mais de 500 bikes, um negocio típico de foto, imagine uma passeata que feche a Paulista de cabo a rabo, era isso, mas só de bikes! A sensação é incrível, San Francisco tem sempre muitos ciclistas nas ruas, mas definitivamente eu nunca tinha visto tantos juntos num lugar só! Alguns levavam placas, o tema mais comum era anti-guerra, como “bikes against war”.

bike de som!
a bike de som!

Seguimos a Market street por algumas quadras e em seguida entramos numa rua paralela ao mar. San Francisco, bonita como já é normalmente, ficou perfeita com os ciclistas dominando as ruas! Em nenhum momento enquanto estávamos pedalando vi policiais, exceto quando passamos pelas entradas da freeway, um viaduto que conduz a Bay Bridge, ponte que liga San Francisco a Oakland e que não permite a circulação de bikes. O engraçado é que minutos antes ouvi pessoas gritando “Vamos pegar a freeway!”, mas pelo visto os policias já sabiam disso e estavam lá a cada entrada que passamos.

A maioria dos motoristas ao nos ver já sabia que se tratava da Critical Mass, alguns buzinavam em consideração, outros buzinavam para perturbar quando alguém ficava na frente dos carros num semáforo ate todo mundo passar, o que levava muuuitos minutos heheh. Alguns carros tentavam entrar na rua quando ainda nem todos os ciclistas haviam passado e eram recebidos com um “Nooooo” ou mesmo um “Don’t you know that?” (“Você não sabe como funciona, não?”), então alguém entrava na frente do carro ate todo mundo passar. Vi cenas em que havia um carro no meio da multidão com um ciclista bem na frente do carro encarando o motorista, como se falasse “Agora você vai ficar de castigo ai” heheh..

Fomos ate North Point, um bairro de italianos com muitas cantinas e tratorias, o que me fez encarar varias subidas. Logo que cheguei aqui eu sofria, mas ultimamente notei que já estou mais craque e não preciso descer da bike e levar na mão mais (e olha que uso uma BMX aqui!). Passamos por Chinatown e por alguns túneis, foi muito louco passar dentro de um túnel que só passa carros normalmente, naquela hora só passavam as bikes enquanto o pessoal gritava/assoviava! Os bondes, sempre com muitos turistas, nos recebiam com flashes de maquinas fotográficas e filmadoras. Toda vez que eu ficava meio pra trás e via pouca gente na minha frente, achava que a pedalada tinha acabado e cada um tinha ido pro seu lado, mas sempre quando eu cruzava a esquina lá estava muita gente ainda, às vezes paravam pra esperar todo mundo chegar.

Passamos por varias partes da cidade, quando percebi já tinham se passado 2 horas pedalando! O cansaço chegou e percebi que a massa já tinha se dispersado bastante, comecei a ficar pra trás enquanto começava um chuvisco, então achei que já tinha sido o suficiente pra mim. Enquanto fui em direção ao metro rumo ao meu lar lembrei da bicicletada em São Paulo, pensei nas diferenças e semelhanças com a de San Francisco e também em toda a infra-estrutura que eu encontrei aqui para o uso da bicicleta como meio de transporte. Apesar de São Paulo ainda estar gatinhando nesse sentido, fiquei com a sensação que a Critical Mass daqui teve muito impacto para as mudanças acontecidas e nada me tira da cabeça que a Bicicletada esta fazendo o mesmo por São Paulo.

 

Mais fotos em: http://www.flickr.com/photos/julinvictus