Critical Mass em San Francisco

tomando as ruas!

A primeira coisa que fiz naquela sexta feira foi olhar o céu procurando algum sinal de chuva. Apesar de haver algumas nuvens no céu, algo me dizia que dessa vez eu iria ter sorte.

Por incrível que pareça desde que eu estou aqui, dezembro de 2007, toda santa ultima sexta feira do mês choveu. E não é chuva como em São Paulo, de no máximo duas horas, era chuva o dia inteiro, com direito a vento numa temperatura de provavelmente uns dez graus. Juro que por maior que fosse minha vontade de ver o acontecimento, chegava na hora e eu arregava total pra ficar debaixo da coberta em casa! Mas dessa vez o tempo colaborou, lá pelo meio dia o sol deu as caras e eu tive certeza que eu iria a minha primeira Critical Mass em San Francisco!

Cheguei no local de encontro exatamente 6 horas, a hora marcada de inicio. Era uma praça no fim de uma rua, a Market Street, considerada a principal rua do centro financeiro da cidade e onde fica varias atrações turísticas (o bonde, o shopping center, a prefeitura, uma biblioteca, o porto). Assim que cheguei vi vários policiais de moto cercando a praça, lembrei dos stresses que rolam em SP e pedi pra que não acontecesse aqui também. Muita gente já estava na praça, muita gente mesmo, não sei calcular, mas provavelmente mais de 200. Todas batiam papo com os amigos, faziam um lanche e preparavam suas bikes para o momento.

Pude notar que a maior parte era de pessoas que usam a bike diariamente para o trabalho, ou mesmo eram bike messengers. é engraçado, é fácil reconhecer o pessoal que é usuário assíduo de bike, a maioria usa bikes de corrida (como uma caloi 10), muitas dessas bikes tem o freio no pedal (só não me pergunte como conseguem pilotar!), usam uma bolsa que se chama “messenger bag”, é como uma mochila, mas de tira colo em apenas um ombro e feita de materiais resistentes e usam a calca dobrada na perna que fica a correia. Alguns trouxeram “bagels” (pão em forma de rosca) que compraram no mercado e distribuíram pros mais esfomeados, eu fui um deles! Outros levaram uns tambores que ficaram tocando antes da partida, anunciado a massa que iria sair nas ruas.

Se passaram apenas alguns minutos depois que eu tinha chegado quando os primeiros ciclistas saíram às ruas e todos os demais seguiram para assim formar a massa critica. A saída foi silenciosa, o tipo de silencio que precede quando alguma coisa grande vai acontecer. Mas logo em seguida começaram os assovios, buzinas de bike, saudações aos pedestres e todo o tipo de som possível! Tinha ate um cara com uma bike de som, era levada num carrinho atrás da bike. Logo a Market street ficou dominada pelos ciclistas, nessa hora acho que já tinham mais de 500 bikes, um negocio típico de foto, imagine uma passeata que feche a Paulista de cabo a rabo, era isso, mas só de bikes! A sensação é incrível, San Francisco tem sempre muitos ciclistas nas ruas, mas definitivamente eu nunca tinha visto tantos juntos num lugar só! Alguns levavam placas, o tema mais comum era anti-guerra, como “bikes against war”.

bike de som!
a bike de som!

Seguimos a Market street por algumas quadras e em seguida entramos numa rua paralela ao mar. San Francisco, bonita como já é normalmente, ficou perfeita com os ciclistas dominando as ruas! Em nenhum momento enquanto estávamos pedalando vi policiais, exceto quando passamos pelas entradas da freeway, um viaduto que conduz a Bay Bridge, ponte que liga San Francisco a Oakland e que não permite a circulação de bikes. O engraçado é que minutos antes ouvi pessoas gritando “Vamos pegar a freeway!”, mas pelo visto os policias já sabiam disso e estavam lá a cada entrada que passamos.

A maioria dos motoristas ao nos ver já sabia que se tratava da Critical Mass, alguns buzinavam em consideração, outros buzinavam para perturbar quando alguém ficava na frente dos carros num semáforo ate todo mundo passar, o que levava muuuitos minutos heheh. Alguns carros tentavam entrar na rua quando ainda nem todos os ciclistas haviam passado e eram recebidos com um “Nooooo” ou mesmo um “Don’t you know that?” (“Você não sabe como funciona, não?”), então alguém entrava na frente do carro ate todo mundo passar. Vi cenas em que havia um carro no meio da multidão com um ciclista bem na frente do carro encarando o motorista, como se falasse “Agora você vai ficar de castigo ai” heheh..

Fomos ate North Point, um bairro de italianos com muitas cantinas e tratorias, o que me fez encarar varias subidas. Logo que cheguei aqui eu sofria, mas ultimamente notei que já estou mais craque e não preciso descer da bike e levar na mão mais (e olha que uso uma BMX aqui!). Passamos por Chinatown e por alguns túneis, foi muito louco passar dentro de um túnel que só passa carros normalmente, naquela hora só passavam as bikes enquanto o pessoal gritava/assoviava! Os bondes, sempre com muitos turistas, nos recebiam com flashes de maquinas fotográficas e filmadoras. Toda vez que eu ficava meio pra trás e via pouca gente na minha frente, achava que a pedalada tinha acabado e cada um tinha ido pro seu lado, mas sempre quando eu cruzava a esquina lá estava muita gente ainda, às vezes paravam pra esperar todo mundo chegar.

Passamos por varias partes da cidade, quando percebi já tinham se passado 2 horas pedalando! O cansaço chegou e percebi que a massa já tinha se dispersado bastante, comecei a ficar pra trás enquanto começava um chuvisco, então achei que já tinha sido o suficiente pra mim. Enquanto fui em direção ao metro rumo ao meu lar lembrei da bicicletada em São Paulo, pensei nas diferenças e semelhanças com a de San Francisco e também em toda a infra-estrutura que eu encontrei aqui para o uso da bicicleta como meio de transporte. Apesar de São Paulo ainda estar gatinhando nesse sentido, fiquei com a sensação que a Critical Mass daqui teve muito impacto para as mudanças acontecidas e nada me tira da cabeça que a Bicicletada esta fazendo o mesmo por São Paulo.

 

Mais fotos em: http://www.flickr.com/photos/julinvictus

2 responses to “Critical Mass em San Francisco

  1. Inveja, mas é uma inveja boa, parabéns pela sua primeira “Critical Mass” de São Francisco, a cada Bicicletada que passa tenho cada vez mais certeza de que chegaremos a esse ponto um dia.
    Abraços e parabéns pelo Blog.

  2. Pingback: O início: Fix Without Dix «

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