SLINGSHOT

Toda vez que eu leio um jornal gringo chamado “Slingshot” me bate uma sensação boa. Esse jornal é um periódico gratuito que sai acho que de 3 em 3 meses em Berkeley, California, tratando de temas que vão desde vivissecção até manifestações contra o G8, passando por alguma matéria sobre o Critical Mass ou uso de bikes como meio de transporte. A mídia por aí anda cada vez mais escrota, no Brasil a existência de zines é quase nula, então é bom ter alguma alegria na leitura de vez em quando. Normalmente isso acontece quando eu leio a Maximum Rock n Roll e o Slingshot. Mas como a Maximum é mais musica mesmo, o Slingshot ganha um lugar especial por tratar de questões políticas do jeito que eu acho que devem ser tratadas, com uma grande ênfase na questão ambiental. Claro que essas questões ambientais não são tratadas de um jeito ralo como uns Greenpeaces da vida, na questão dos combustíveis, por exemplo, eles fazem uma crítica dura tanto ao fósseis quanto aos “bio-combustíveis”, que vem sido propostos como a “salvação da terra” mas na verdade só vão acabar criando problemas diferentes (mais sobre isso em http://slingshot.tao.ca/displaybi.php?0096019). Como todo ativista decente o grande incentivo é no uso de bikes, e para complementar isso enfatizam o apoio à comunidade local. Isso é algo que se não me engano tive o primeiro contato no Slingshot e acabou sendo reforçado com a minha visita a San Francisco: as pessoas começam a notar que com o caos das grandes cidades, o único jeito de se ter uma vida digna é aproveitar ao máximo sua vizinhança, como tentar trabalhar o mais perto possível de casa (para não perder horas de sua vida dentro de um ônibus ou carro), fazer compras no mercadinho local (e apoiar uma pessoa que provavelmente mora no seu bairro, e não um “Abílio Diniz” que vai fazer suas mercadorias rodarem milhares de quilômetros [de caminhão à diesel, é claro] em busca do maior lucro), bolar atividades culturais ou qualquer tipo de apoio à comunidade como cursos ou bibliotecas, plantar um jardim ou cuidar da sua área do melhor modo possível, afinal é lá que você vai estar todos os dias. A idéia de revolução sempre me soou boa, mas eu tenho percebido que isso está cada vez mais longe justamente por causa do individualismo que é o grande lema desse nosso tempo: MEU carro (com insufilme para você nem ver minha cara), MINHA casa (com grades e muros gigantes para você nem saber que eu existo), MINHA tv (para eu não ter que conversar nem com as pessoas da minha própria família). Sei lá, posso estar enganada, mas acho difícil alguma coisa mudar enquanto a gente não conhecer nem o próprio vizinho. Não tiro meu corpo fora dessas questões, como todo mundo tenho muito que mudar na minha vida. Mas são coisas que o Slingshot me faz parar para pensar, e por isso eu gosto tanto desse jornal.

Slingshot em: http://slingshot.tao.ca/

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